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Hoje um novo episódio da série Digital Creators. Professores convidados: Amanda Aouad e Marcelo Lima, roteiristas e pesquisadores (Estação do Drama – UFBA).

Salvador, manhã de sábado. Tempo instável, variando entre chuva e sol. Corta para sala de aula. Os nossos Creators ouviam atentos à apresentação da dupla de professores, iríamos dar sequência a aula de Dani Rodrigues, transformando o planejamento executado pelos grupos em roteiro para conteúdo em vídeo. Que conhecimentos seriam necessários para a tarefa? Logo descobriríamos.

Storytelling. Ou seja, contar história. O primeiro passo da nossa jornada seria entender sobre a arte de comunicar e encantar. Yes! O caso da campanha de Trump foi abordado; o inesquecível “Dumb ways to die” também serviu de exemplo de storytelling no universo de propaganda e publicidade.

Ok… mas e o roteiro? Começamos a falar nele e nas diferenças entre publicidade e peças autorais. Em qualquer um dos casos, de onde vêm as ideias e os temas? Antes de tudo a citação de Chuck Close, fotógrafo e pintor deu a pista: “A inspiração é para amadores. O resto de nós simplesmente se levanta e vai trabalhar.” .

Falamos de cinco pontos para construir a ideia, entre eles a logline. Logline? Mesmo os redatores experientes não tinham intimidade com o termo. O desafio da logline é resumir do que trata a sua história em apenas uma linha. Quer testar? Então veja essa logline e me diga qual é o filme: o relutante filho de um chefão da máfia precisa assumir o controle do império clandestino de seu pai para proteger sua família. Fácil!Quando estávamos gostando da brincadeira veio a pergunta nos peitos: o que é uma boa ideia? A resposta, por conta dos professores, nos conduziu à análise das tramas básicas – o monstro, a jornada, o regresso, o renascimento, a revelação, a tragédia, a comédia.

Então… Qual é a estratégia do seu storytelling? É preciso definir minha gente! As opções vieram seguidas por exemplos deliciosos. Alguns estupidamente refrescantes como o da cerveja Antarctica. A discussão da turma foi sobre como uma marca deve aparecer em um conteúdo em vídeo para que o resultado seja atrativo, não fique forçado a ponto de fazer as pessoas perderem o interesse ou mesmo causar rejeição. Alguns do Creator são redatores publicitários traumatizados por frases como “mostra mais produto”, “fala mais na marca”… Dúvidas sanadas, hora de abordar a construção de personagens, relacionando com as plataformas e formatos possíveis.

Vamos então à curva dramática de filmes e episódios? Feito isso, momento de assistir um vídeo e disfarçar aquela lágrima teimosa… Despertada a emoção, fomos chamados a racionalizar, definindo o argumento do vídeo – o que ocorre (principal conflito escolhido), quando e onde ocorre (temporalidade e localização), a quem ocorre (personagens) e de qual forma (qual a história?). E como seria a escaleta do vídeo? Entendido Profs! Passamos então para a analise de arcos dramáticos para séries continuadas, séries episódicas, episódios de YouTube. Tenho certeza de ter visto gente dissecando as séries favoritas…

Como todos os Creators sabem, os primeiros três segundos são cruciais – é tudo ou nada – para perder ou ganhar a atenção do público. Mas Amanda e Marcelo mostraram as técnicas da arte de criar e sobreviver a essa avaliação rápida e impiedosa. Garantida a atenção inicial, como retê-la e finalizar em grande estilo foram os próximos assuntos. Diferenças entre conteúdos em vídeo para YouTube e Facebook relembradas, nos foi questionado: serializar é preciso? Professora Amanda nos indicou os caminhos da serialização. Aproveitando, já tratou de organização de playlists.

Olha o nosso clímax chegando: tratamos de estruturas de roteiros e pautas. De quebra detalhou-se como fazer títulos e descrições para vídeos. Dicas mil, exercícios para aquecer, estávamos ansiosos para criar. O momento foi depois do almoço. Tínhamos a tarde inteira para estruturar o roteiro, apresentar e passar pela análise e correções dos Professores Amanda e Marcelo. Enfim… o final feliz: uma ideia bem colocada no papel e, na próxima aula, a câmera na mão. Com a revolução tecnológica, a terra de Glauber não tem mais fronteiras – avante Creators!

 

Em 2006, a revista Times colocou em sua capa a personalidade do ano com título Você!. A publicação fazia referência ao YouTube, lançado em 2005, que começava a revolucionar os fluxos de produção e compartilhamento de conteúdo em vídeo na internet. Estamos em 2017 (quase 2018) e, de lá para cá, os smartphones e tablets ganharam seu lugar ao sol, as mídias sociais se multiplicaram e ganharam escala global e o vídeo, este formato tão amado desde a invenção do cinema, impera no conteúdo digital.

Neste processo de mudanças de modelos e paradigmas, um ponto chama a atenção: o vetor de produção do conteúdo. Se antes o conteúdo em vídeo era vertical, de poucos para muitos (com produtoras, emissoras de televisão, indústria cinematográfica etc.), hoje essa produção é horizontal, de todos para todos, uma vez que, com um smartphone na mão, é possível filmar, editar e compartilhar com qualidade e de forma segmentada.

Neste movimento de produção individual de vídeo online em alta, empresas como o YouTube continuam na liderança, investindo em espaços (YouTube Spaces) para criadores de conteúdo (os chamados “Creators”) e em formas de monetização. Seguindo este exemplo, o Facebook, que não é bobo nem nada, também já mostrou que em 2018 sua atenção será em expandir as experiências audiovisuais de seus usuários, através de Lives, criando uma nova aba só para vídeos, espaços para produtores (Facebook Studios) e, também, pensando em formas para remunerar seus Creators.

Para além das grandes mídias sociais, há canais se especializando em gerar conteúdos de vídeo para grandes plataformas OTT/ SVOD como Netflix, Hulu, Amazon, YouTube Red, além de TVs abertas e fechadas. Este é o caso da Awesomeness TV que se posiciona como uma rede de criadores (Creator Network) voltada para produções independentes e influenciadores – ajudando a ampliar suas audiências e construir suas marcas pessoais. A criação e distribuição dos chamados IPs (intellectual property) estão mudando a dinâmica do mercado, com produções diversificadas em formatos (documentários, talkshows, séries, filmes, curtas, notícias etc.) e temas, em alguns casos com baixo custo (principalmente para as plataformas de distribuição), com a presença de influenciadores que mobilizam uma legião de fãs em diferentes mídias sociais.

No Vidcon 2017, maior evento sobre vídeo online e creators do mundo, alguns pontos foram destacados por Adriana Boghosian (Mutato), conforme matéria publicada na Adnews:

  1. Diferenças entre influenciadores no Brasil e nos EUA – enquanto os gringos estão mais preparados para a lógica de mercado dentro das empresas e agências, os brasileiros apresentam inovação nos formatos e variedade nos canais.
  2. Relação entre marcas e Creators – como trabalhar juntos – se discutiu modelos de produção (creators para marcas x marcas com creators) e a importância do papel do influenciador para a construção de uma linguagem/identidade no conteúdo.
  3. Importância das métricas para mensurar o sucesso e ajustar conteúdos (em tempo real, em alguns casos).

Se você trabalha com comunicação, é um creator ou mesmo um entusiasta no assunto, vamos deixar aqui duas dicas valiosas:

  • Youpix Study Tour – material criado pela Youpix, repleto de insights provienientes das principais empresas de tecnologia e entretenimento dos Estados Unidos.
  • Digital Creators – Workshop  de Marketing de Conteúdo em Vídeo, com foco no Facebook, Instagram e Youtube. O curso tem vagas limitadas e ocorrerá agora em novembro, em Salvador, nos dias 18/11, 25/11 e 2/12. [clique aqui]